O papel da leitura diversificada na formação das crianças e adolescentes
texto de Sara Assis, Professora de Língua Portuguesa do Colégio Carbonell
Em um mundo marcado pela rapidez das informações, pelas notificações constantes e pelo tempo cada vez mais disputado pelas telas, cultivar o hábito da leitura tornou-se um desafio para muitas crianças, adolescentes e também para os adultos. Se antes os livros ocupavam um espaço central no lazer e na formação das pessoas, hoje eles dividem a atenção com uma infinidade de estímulos que chegam a todo instante.
Nesse contexto, incentivar a leitura é mais do que uma tarefa escolar: é um compromisso com a formação humana. Ler amplia o vocabulário, desenvolve a capacidade de interpretação e fortalece a escrita, mas seus benefícios vão muito além das habilidades acadêmicas. A leitura permite que o leitor viaje por diferentes lugares, conheça outras culturas, compreenda perspectivas distintas e reflita sobre questões que fazem parte da vida em sociedade.
Além dos inúmeros benefícios formativos, é importante lembrar que a leitura também deve ser compreendida como uma experiência de fruição. Ler não se limita a cumprir uma função escolar ou a adquirir conhecimentos: é também um encontro com a arte, com a sensibilidade e com o prazer estético que a literatura pode proporcionar. Quando uma história nos envolve, quando nos identificamos com personagens ou nos deixamos levar pela linguagem de um texto, estamos vivendo uma experiência única, que não se reduz a uma utilidade prática. Nesse sentido, incentivar a leitura também significa permitir que crianças e adolescentes descubram o prazer de ler e desenvolvam uma relação afetiva com os livros.

Além disso, quando falamos em formação de leitores, sabemos que não basta estimular apenas a quantidade de livros lidos, pois mais importante do que ler muitos livros é garantir o contato com obras variadas, que apresentem diferentes temas, estilos, autores e visões de mundo. Afinal, a literatura não existe apenas para ensinar conteúdos ou transmitir lições morais prontas. Ela é mais do que isso, uma vez que nos convida a pensar, questionar, sentir e compreender a complexidade das experiências humanas. Portanto, uma formação leitora diversificada possibilita que crianças e adolescentes descubram novos interesses, desenvolvam o senso crítico e construam uma relação mais significativa com a leitura.
O sociólogo e crítico literário Antonio Candido defendia que a literatura exerce uma função formadora e humanizadora justamente porque se aproxima da própria vida. Nem sempre os livros apresentam personagens exemplares ou oferecem respostas prontas para os dilemas humanos. Ao contrário, frequentemente nos colocam diante de conflitos, dúvidas, erros e contradições que fazem parte da experiência de todos nós. É nesse contato com a complexidade da condição humana que reside uma das maiores riquezas da literatura, pois ela dialoga com as nossas próprias experiências, desafiando-nos a olhar para nós e para o outro de forma mais humana.
É por isso que, na escola, valorizamos uma formação leitora ampla e diversificada. Ao entrar em contato com diferentes narrativas, os estudantes ampliam seu repertório cultural e aprendem que existem muitas maneiras de compreender a realidade. Cada livro oferece uma nova oportunidade de reflexão, descoberta e crescimento.
Mais do que formar bons estudantes, a leitura contribui para a formação de cidadãos mais críticos, sensíveis e preparados para dialogar com a diversidade presente no mundo. E esse é um aprendizado que acompanha cada pessoa muito além dos anos escolares.


