đŸ« Em mais um texto emocionante, Priscila Kyomen escreve sobre autonomia na infĂąncia

Autonomia: um aprendizado que começa nas pequenas coisas
texto de Priscila Kyomen, Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil no Carbonell

No Ășltimo Dia do Brinquedo, eu descia as escadas com uma criança que carregava dois companheiros inseparĂĄveis: um ursinho e um macaco! Ao vĂȘ-la equilibrando os dois com cuidado, ofereci ajuda. Ela pensou por um instante e respondeu com muita segurança: “Eu consigo levar o ursinho. VocĂȘ leva sĂł o macaco?”. Sorri e aceitei o acordo. Seguimos assim: ela com o ursinho, eu com o macaco.

A cena Ă© simples, mas poderosa, pois revela algo muito precioso no desenvolvimento das crianças: a autonomia que nasce quando alguĂ©m confia que elas sĂŁo capazes. Maria Montessori dizia “nunca ajude uma criança em uma tarefa que ela sente que pode realizar sozinha”, frase que nos convida a uma reflexĂŁo importante: a autonomia Ă© muito mais do que um objetivo pedagĂłgico — Ă© um exercĂ­cio cotidiano.

E, muitas vezes, esse exercício exige algo que para os adultos pode ser desafiador: dar um passo para trås e apenas observar! Quando a criança consegue, o adulto não interfere. Se a criança consegue usar o banheiro; se a criança consegue tomar banho; se a criança consegue se secar; se a criança jå consegue se vestir ou calçar os próprios sapatos, o adulto sai da frente e permite que a criança faça.

Quando a criança consegue tentar, o adulto tambĂ©m nĂŁo se apressa. Observa, espera, sustenta o tempo da experiĂȘncia. Isso pede confiança e, muita, muita paciĂȘncia. O adulto precisa intervir quando hĂĄ risco real. Se nĂŁo for este o caso, cada tentativa Ă© um pequeno laboratĂłrio de descobertas.

A rotina, na Educação Infantil aqui do Carbonell, é cuidadosamente planejada para cultivar essa autonomia. Ao longo do dia, as crianças:

  • tiram e colocam o prĂłprio tĂȘnis;
  • organizam seus materiais;
  • abrem suas lancheiras;
  • servem-se e se alimentam.

AçÔes que podem parecer pequenas, mas são grandes exercícios de crescimento, desenvolvendo nas crianças coordenação motora, senso de responsabilidade, perseverança e, principalmente, confiança em si mesmas. Quando fazemos por elas aquilo que jå conseguem fazer sozinhas, mesmo com a melhor das intençÔes, acabamos interrompendo esse processo. Ajudar demais, muitas vezes, atrapalha!

Autonomia nĂŁo significa largar a criança Ă  prĂłpria sorte, nem exigir independĂȘncia antes da hora. Ensinar e praticar autonomia Ă© outra coisa! É acompanhar de perto, acreditar profundamente e ter coragem de esperar, porque cada vez que uma criança diz “eu consigo!”, algo muito importante estĂĄ acontecendo no seu desenvolvimento. E, quando o adulto responde “eu confio”, o crescimento ganha espaço para acontecer.

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